É mais escura anoite dos que vagueiam pelas vielas amargas da dependência química. “Vagabundos”, sujos, dementados pelo último trago. Ansiosos e extremados pelo próximo. A “escória” teve mãe – uso a maternidade para lembrar da igualdade humana - antes de se deparar com a primeira oferta do traficante. O momento fatídico da primeira experiência é também o passo que leva milhões de nossos jovens e amigos a trilhar o caminho onde a solidão é tão intensa que engela os ossos e turva qualquer pensamento de esperança.
A situação é perfeitamente visível aos olhos dos que dizem que se importam, mas que trancam suas portas quando as cortinas se fechama e o público que aplaude vai embora. A “bocas de fumo” continuam nos mesmos lugares, e os traficantes também. Estão nas esquinas, nos bairros e nas praças, onde se abrigam os filhos e netos das famílias que gritam aos ouvidos moucos. Quer saber mais sobre o assunto, ou conferir se estou mentindo? Escute então as mães e os pais que perderam seus filhos para a dependência química.
Eles certamente falarão da agonia causada pelos filhos dementados pela violência das drogas. Falarão de uma dor que não tem alívio, porque não tem remédio. Contarão histórias assustadoras, difíceis de acreditar sobre as atitutes insanas e grosseiras daqueles que eles colocaram no mundo. Terão lagrimas nos olhos quando, vasculhando o passado, relembrarem momentos felizes com seus filhos ainda crianças, tão desejados, tão queridos, tão amados...
Se continuares ouvindo, pais e mães buscarão na memória as recepções festivas, calorosas e inesquecíveis da infância de seus filhos. De quando chagavam do trabalho e eram entrelaçados no pecoço por seus pequenos braços. Quando faziam festa pelo simples fato de estarem juntos, e quando os braços desses mesmos pais ainda eram capazes de proteger seus amados das dores e dos desassossegos do mundo. Para esses filhos perdidos, o colo dos pais também já não é mais suficiente para aliviar suas agonias e fazê-los sentir seguros. É tarde demais para todos.
Val Sales